ESPERANÇAS FRUSTRADAS

A desclassificação dos dez últimos concorrentes constituiu um rude golpe para Vitor Calisto, uma vez que se encontrava em segundo lugar na Classe 5, a dez segundos do seu adversário mais directo, Miguel Barata (Nissan Micra 1.3 Super). A equipa acreditava que ainda poderia aspirar à vitória na categoria, não obstante as dificuldades encontradas pelo estado dos troços. Se para os pilotos da frente, as condições eram bastante difíceis, um concorrente da segunda metade da tabela encontrava o estado do troço num situação lastimável.

“Imagine um rego com 60 a 70 cm de altura e 50 cm de largura,” refere Vitor Calisto. “O fundo do carro ficava assente no chão. O vidro da frente partiu, tal eram os torsões na carroçaria. Em 25 de ralis e 152 provas, nunca assisti a uma coisa assim,” garante o piloto de Odivelas.

 

 

 

Comunicado à imprensa em nome dos dez pilotos excluídos

 

OS REGULAMENTOS SÃO PARA CUMPRIR!!! SEMPRE!!!

Não temos dúvidas que os regulamentos são para cumprir, e falo na qualidade de representante dos pilotos que foram excluídos da prova... Os regulamentos são para cumprir, sempre!!!

E, só porque convém à organização, com o falso pretexto de “ser demasiado violento para os concorrentes aplicar o regulamento ”, e porque era preciso libertar a PEC para a passagem seguinte (só posteriormente anulada), então não se cumpre o regulamento e dá-se uma de “tolerante e bonzinho”, leva-se os concorrentes “ao colo”, eliminam-se penalizações, cartas de controlo e outros acessórios de somenos importância, e transforma-se um Rali do Campeonato do Mundo (outrora considerado O Melhor) num “Rali Paper” à chuva com a procura incessante de quem, a nível organizativo, consegue fazer mais disparates em menos tempo.

Passeios por troços alternativos, PEC’s feitas em ligação e se “fores bem-educado e voltares para casa, de onde nunca devias ter saído devolvemos-te o dinheiro da inscrição”.

Numa prova feita para profissionais em que não há lugar a amadores, mas com uma classificação para amadores que só de nós os dez recebeu um valor de inscrição de 2 600 contos.

E, depois, no dia seguinte, em Oliveira do Hospital 1, quando se passou o mesmo que no primeiro dia em Fafe-Lameirinha1? Também houve tolerância e boa vontade da organização ou havia prioritariamente que libertar a PEC para a segunda passagem?

Mas, exactamente no mesmo sítio em Oliveira do Hospital 2, e quando já mais ninguém passaria pela PEC, estavam criadas as condições ideais e necessárias para que a organização se livrasse dos carros que até ao momento só tinham constituído um estorvo para a mal oleada estrutura deste Rali de Portugal.

Apesar de saberem a PEC interrompida, (existe um intervalo de 50 minutos entre a entrada do carro que ficou atolado e o último carro a entrar para a PEC), os concorrentes foram sucessivamente mandados entrar para dentro do troço a caminho da sua exclusão.

Em vão foi a espera do carro da organização que abriria o troço...ele não passou!!!

Depois em Tábua, a organização manipulou a decisão para a petição que lhe foi entregue pelos representantes dos pilotos, que mais não era que pedir que o critério utilizado no dia anterior e nesse mesmo dia no mesmo troço na primeira passagem, fosse aplicado.

Mas a decisão já fora tomada e às 00h45m de Domingo, foi-nos comunicado que não poderíamos continuar em prova porque “o tempo entre controlos não podia ser alterado” – mas só entre aqueles controles, porque nos outros... a história foi diferente.

E agora? O esforço? O sacrifício? O amor a este desporto que deveria ser de todos nós? Os patrocinadores e o seu retorno? – Metemos tudo no saco da indiferença, embrulhamos em papel de prepotência e colocamos um laçarote da cor da ditadura que continua a criar lobis de interesses favorecendo os grandes meios em função das boas vontades.

E, possivelmente na última participação de 18 consecutivas neste Rali de Portugal, a mágoa de nunca ter sido tão desprezado e mal tratado como pela a organização do evento mais importante de Ralis realizado no nosso país.

 

 

Victor Calisto

 

Representante dos 10 pilotos excluídos

QUEBRA DE SUSPENSÃO DITA ABANDONO

A dupla Vitor Calisto/António Cirne, em Toyota Yaris 1.3, voltou a não ter a felicidade pelo seu lado na terceira prova do Campeonato Nacional de Ralis de 2001. Após a desistência por problemas de suspensão no Rali Casinos da Póvoa e da polémica desclassificação no TAP – Rallye de Portugal, a equipa de Odivelas foi forçada a desistir a duas classificativas do final devido à quebra do triângulo da suspensão traseira do lado direito.

O início da prova ficou marcada pela anulação da super-especial de Baltar, onde as 52 equipas iriam cumprir o mesmo troço utilizado no TAP – Rallye de Portugal, mas feito em sentido contrário. O mau tempo que tem fustigado o Norte de Portugal deixou o piso num estado impraticável, muito enlameado, não oferecendo condições de continuidade. Perante a hipótese de interromper a passagem dos carros logo após os primeiros concorrentes, a direcção da prova optou por cancelar esta classificativa.

A segunda secção foi disputada na zona de Fafe e de Cabeceiras de Basto. As condições meteorológicas impediram os pisos de se apresentarem no melhor estado, nomeadamente nas segundas passagens, uma vez que além dos concorrentes do Nacional de Ralis, a prova contava ainda com 42 inscritos no Campeonato Regional Norte de Ralis.

A Calisto Corse Equipe partiu com algum nervosismo para a segunda secção, perdendo algum tempo nas primeiras passagens. Depois adoptou um ritmo mais forte que lhe permitiu recuperar tempo, terminando a segunda secção na quarta posição da Classe 5, a 35 segundos do seu concorrente mais directo.

No início da terceira secção, a equipa começou a sentir problemas com a suspensão. Os amortecedores traseiros quebraram na oitava classificativa e os dois troços seguintes foram cumpridos com estes componentes partidos. No Parque de Assistência de Fafe, no final da PEC 10, os mecânicos procederam à mudança de amortecedores.

Para recuperar tempo perdido, o piloto de Odivelas imprimiu um ritmo elevado na 11ª classificativa, mas os seus esforços seriam contrariados a quatro quilómetros do final devido à quebra do triângulo da suspensão traseira do lado direito, com o inevitável abandono. A equipa acredita que o andamento imposto lhe permitiria aspirar a terminar nos três primeiros lugares da Classe 5.

 

 

 

Go to top